terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Tema 6 - Silêncio

Silenciar



Não faça de mim

O silêncio que a vida não trouxe

O raro belo falo

Que querias no fim

Hoje dormita em panos quentes

Diferentes dos que aos poucos

Foram-se com o amor

Que culminou no nada

Nem na gente

Fervilha em vão

O vão mundo cão

Das coisas faláveis inefáveis

Infalíveis beijos noturnos

Taciturnos bichos

De hábitos antigos

Como o calar do desejo paroquial

Pela figura imaculada de Maria

O silêncio grita no coração

De quem não o exprime

De quem não se redime

Às coisas mundanas

Do baixo ventre

Dores intravenais

A deslocarem a rota

Do quadrado ao cubo

Da equação inexeqüível

Da composição da costela de adão

Jura-la-ia que as injúrias

Absorveriam meu peito

Para poder dizer

As falas, belas raras

De um lirismo pudico

Que se refere à falta do ruído

Que habitaria um corpo

De máculas quietas

Morais amorais

Orais amor ais

Ais amo raiz

Amor aí saís

Mora e sai

Ora e vai

Vai

Vai com teu cheiro de inquietude entre os dentes que calam pela falta do próprio

Autopensar

Autopenar


RODRIGO H.

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