Silenciar
Não faça de mim
O silêncio que a vida não trouxe
O raro belo falo
Que querias no fim
Hoje dormita em panos quentes
Diferentes dos que aos poucos
Foram-se com o amor
Que culminou no nada
Nem na gente
Fervilha em vão
O vão mundo cão
Das coisas faláveis inefáveis
Infalíveis beijos noturnos
Taciturnos bichos
De hábitos antigos
Como o calar do desejo paroquial
Pela figura imaculada de Maria
O silêncio grita no coração
De quem não o exprime
De quem não se redime
Às coisas mundanas
Do baixo ventre
Dores intravenais
A deslocarem a rota
Do quadrado ao cubo
Da equação inexeqüível
Da composição da costela de adão
Jura-la-ia que as injúrias
Absorveriam meu peito
Para poder dizer
As falas, belas raras
De um lirismo pudico
Que se refere à falta do ruído
Que habitaria um corpo
De máculas quietas
Morais amorais
Orais amor ais
Ais amo raiz
Amor aí saís
Mora e sai
Ora e vai
Vai
Vai com teu cheiro de inquietude entre os dentes que calam pela falta do próprio
Autopensar
Autopenar
RODRIGO H.
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