quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Tema 7 - Noite


12:51



Meia noite e cinqüenta e um, e a noite começa. É quando o vocal inesperadamente profundo de Julian, mesclado com a guitarra caracteristicamente distorcida de Nikolai, inauguram e dão o tom de mais um sábado. Que os trabalhos comecem.


Aqui é onde os posers e pretenders que fingem ser parte do resto da nossa parte, são revelados e expostos descrédulos em meio a fiéis e eternos fluorescentes adolescentes. Nunca um problema, todos aqui são bem vindos não importam as crenças, embora eu só acreditaria em um deus que soubesse dançar. Meia noite e cinqüenta e um é onde eu me sinto em casa, a minha casa, a minha noite. É o nome da minha noite como DJ aqui.


O lugar é um velho sobrado de tijolos a vista, circundado por casas e garagens e velhas arvores fincadas atrás das cercas, em uma estranha e tortuosa ruela urbana, profundamente encravada no coração do centro novo, pedindo por berros em meio a quietude adormecida. Está lotado mais uma vez, já virou costume. A ironia de homenagear a noite entre paredes me fascina. A culpa fica a cargo do som, o pulsar desse batimento, o pó das estrelas que pulsa em pulsos impulsos no ar. Esperanças e expectativas, buracos negros e revelações, como bem diria Matthew Bellamy, mais um irmão entusiasta da nossa cena.


Meia noite e cinqüenta e um é a minha mais pura e singela declaração de amor a essa troca. Não, singela não. Suja. Dentes cravados nos lábios alheios, sem as preliminares adequadas, cabelos revoltos, excitados, desejos além das palavras, de vira-latas perdidos uivando entre caixas de som em vãs necessidades carnais sempre indizíveis, além de palavras.


E ainda assim, meia noite e cinqüenta e um é quando minha voz encontra as palavras que eu procuro e os sons que se expressam em um coral empolgado de acordes de guitarra e efeitos, gritados a exaustão a plenos pulmões, em meio ao neon que lava nossas almas na pista em uma grande celebração em tons radioativos das nossas vontades e promessas, tão grandiosas.


Meia noite e cinqüenta e um, o clímax carnal de emoções etéreas. Viva rápido e morra jovem, é a nossa decisão. Nós temos a visão, a vida no seu ápice quando o sol se esconde.

ANDRÉ OZ

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